terça-feira, 8 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

Up, dirigido por Pete Docter. 2009.




Pacto com o demônio. Essa seria a resposta mais lógica para a qualidade e a constância dos filmes da Pixar, além de um natural virtuosismo para coisa. Quando você acha que chegaram ao extremo, que não é possível fazer uma animação tão divertida quanto a anterior, eles vão lá e fazem. Parece até que é só de sacanagem. Up – Altas Aventuras não foge dessa regra: emociona, faz rir, chorar e toda a gama de emoções possíveis de se ter dentro do cinema.

Muito da trama gira em torno da amizade. Percebe-se isso antes mesmo de tudo começar, no tradicional curta que precede o longa. Um amigo jamais abandona outro, esta é a lição de companheirismo que uma cegonha dá a uma atrapalhada nuvem em “Parcialmente Nublado”. Não é necessário muito tempo e nem mesmo de diálogos para a mensagem ser passada e perfeitamente entendida, deixando indiferentes apenas os que provavelmente não são seres humanos.

Aliás, esses são os principais pontos da Pixar em seus filmes: a simplicidade e uma enorme habilidade de mexer com as emoções do telespectador. Foi assim no incessante resgate em Procurando Nemo, na sincera vontade de Remy em cozinhar em Ratatouille, no espírito esportivo em Carros, na romântica aventura em Wall-E, enfim, em praticamente todas as obras do estúdio.

Carl Fredricksen e Ellie se conheceram ainda na infância, onde sonhavam em ser exploradores e aventureiros. Ele faz uma promessa de um dia levá-la para morar no Paraíso das Cachoeiras, na América do Sul, custe o que custar. O tempo passa, os dois se casam, estabelecem um lar, passam pela tristeza de um aborto, pelas demais fases da vida e pelo envelhecimento, até o falecimento dela. A cena não dura mais que cinco minutos, porém é repleta de momentos simples e comoventes, como no piquenique onde decidem ter filhos e ajeitando a caixa do correio da casa, sempre com cores saltando aos olhos e a trilha sonora dando o toque de sensibilidade necessário.


Carl agora é um velhinho que vive rotineiramente em sua casa, a única na quadra, pois ao redor já está tomado de construções e prédios. Devido a um mal entendido, ele acaba sendo forçado a ir para um asilo. Essa é a gota d’água para cumprir de vez a promessa feita a Ellie: ele amarra sua casa em milhares de balões e literalmente levanta vôo rumo ao Paraíso das Cachoeiras. Mas ele não vai sozinho. Um simpático e gordinho escoteiro chamado Russel acaba sem querer embarcando junto na viagem.

E como são bem elaborados os personagens, além de cativantes. Carl é o típico velhinho chato, ranzinza, teimoso, mas que no fundo tem um coração do tamanho do mundo. Russel tem toda a energia e curiosidade característica de uma criança de oito anos, mas sente muita a ausência da figura paterna em casa e vê em Carl um pouco dela, além da amizade que eles constroem ao decorrer do filme. Falando em amigos, o que dizer do melhor amigo do homem, Dug. Inicialmente ele faz parte dos cães do vilão Charles Muntz, mas logo se junta aos protagonistas. Muito engraçado e extremamente expressivo, o cão falante é de longe o grande destaque.

Mais uma vez a Pixar merece uma salva de palmas. Up é um filme completo, eles ainda não fizeram um filme ruim, que peque absurdamente em algum aspecto, e pela evolução de suas obras é mais que provável que tal fato não irá acontecer. Também é provável que as novas regras do Oscar 2010 venham corrigir as injustiças ocorridas com Ratatouille e Wall-E, que mereciam pelo menos uma indicação a categoria de melhor filme. Nada mais justo para um estúdio que anda voando alto por aí.

13 comentários:

leo disse...

concordo plenamente com voce,só pode ser um pacto com o demônio,é muita criatividade pra um lugar só.

Johnny Strangelove disse...

Dug é IDULU
Fato ...
O Melhor filme da Pixar e do ano ...

Denis Torres disse...

Bela crítica. O revoltante é que no cinema que fui aqui em Sampa não teve esse curta das cegonhas. Colega, quanto ao futebol, se meu time não papar esse caneco pela quarta vez seguida, vou ser obrigado a torcer pelos colorados, pois tudo menos o Palmeiras de Muricy. Abs!

Denis Torres disse...

Quanto à questão de categoria, acho que existe melhor animação justamente pra isso. É como a categoria de melhor filme estrangeiro que não se mistura com a de melhor filme. Bem, além disso as animações já tem oportunidade e estão começando a papar prêmios nos quesitos técnicos. Abs!

Vinícius P. disse...

Hahahaha, adorei o início de sua crítica =D Realmente é complicado entender como a Pixar não erra, a cada novo filme só cresce minha admiração por esses animadores.

Mandy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mandy disse...

Aff to loca p/ ver esse!!!

Eu n curti Inimigos não. Achei o filme longo e chato, e o romance, que é o que eles tentam usar para prender o telespectador, muito mal elaborado e sem noção/emoção.

Muito do nada, sabe? Várias pessoas choraram no fim, aquilo ali nem me emocionou. Eu preferi o início!

Kamila disse...

O primeiro ato de "Up" é uma das coisas mais LINDAS que eu já vi! Eu chorei! rsrsrsrsrsrsrs

O filme pode não ser tão brilhante quanto outras obras da Pixar, mas, com certeza, é melhor que muita coisa que anda sendo produzida por aí!

Wally disse...

Todo lugar que eu entro é elogio. Pouco não deram 5 estrelas ao filme. Verei neste domingo.

Germano Jaeschke Schneider disse...

Os filmes da Pixar são realmente excelentes.

Pedro Henrique disse...

Não vi Up ainda, mas vou ver em 3D quarta feira.

Bonita as fotos da Cameron abaixo...

Museu do Cinema disse...

MMais uma sobre Up! Não gosto de desenhos! Apesar da qualidade que sempre tá sendo elevada!

Hajaso Oliveira disse...

Um ótimo filme com uma animação impressionante. Parabéns pelo comentário.