terça-feira, 23 de setembro de 2008

Encontros e Desencontros

Lost in Translation, Sofia Coppola, 102 min., 2003


Bob é um veterano ator em decadência, que aceita um contrato de propaganda de uísque no Japão para tirar uns trocos a mais. Charlotte, uma belíssima jovem que recém casou com um fotógrafo, também está em Tóquio, mas acompanhando o marido. É nesse país, nessa cidade que ambos se encontram e começam a viver uma peculiar história de amor, resultado do segundo filme de Sofia Coppola, Encontros e Desencontros. Esclareço que esse texto é uma mistura de desabafo com crítica cinematográfica, fica aqui claro o aviso.

É até um pouco engraçado pensar que pessoas para se encontrarem, necessitem de um pouco de solidão. Bob, um Bill Murray inspiradíssimo e que perdeu o Oscar injustamente, vai ao Japão em busca de um dinheiro a mais mesmo, pois já não emplaca mais sucessos como antigamente. Mesmo do outro lado do mundo fala diariamente com a mulher e os filhos, fala com aquela tristeza na voz, com aquele olhar de que as coisas não são mais como eram. Também é engraçado ver como ele reage num lugar muito diferente, ele fica perdido na cosmopolita Tóquio como um sutiã em lua de mel. Suas ações e reações rendem ótimos momentos e ótimas risadas, como na sessão de fotos da propaganda.

Do outro lado tem a desumanamente linda Scarlett Johansson como Charlotte, que “aproveita” a sua lua de mel. O maridão ta pouco se lixando pra ela e se importa mais com seu trabalho, deixando a moça sozinha quase todo o tempo. Tal como Bob, ela sente que algo mudou, que não tomou a decisão certa, isso fica claro quando ela tenta desabafar com uma amiga pelo telefone, e com a ajuda da indiferença dessa amiga, caí aos prantos. Tudo é nesse clima meio melancólico, até que ela e Bob se conhecem.

Amor... quem sabe um dia a humanidade entenda o que realmente significa esse sentimento e toda a gama de conseqüências que ele causa. Eu prefiro acreditar que ele simplesmente acontece. Pode acontecer de um olhar, de um toque, de um beijo, de uma foda casual, mas o amor também pode acontecer do respeito, do convívio, do carinho e da admiração pela pessoa amada. Independente da forma como, ele simplesmente acontece e não há nada que possamos fazer. Pode ser por aquela pessoa que você viu nos seus sonhos, pela aquela que você viu na parada de ônibus ou na mesa de um café pela cidade, por aquela que passa por você despercebida todo dia, por aquela com quem você convive diariamente contigo. Amor também é simplesmente querer estar perto de alguém, seja do jeito que for. Ultimamente eu estou concordando com o amigo Steve Tyler: amor é uma doce miséria.

Eu gosto de traçar um paralelo de Encontros e Desencontros com o filme Closer. O filme de Nichols é basicamente sobre sexo, mas sem uma cena de tal, assim como o filme da Sofia é basicamente sobre amor, mas isso está implícito ou demonstrado de forma mais, como posso dizer... suave. Para embasar minha correlação, tem a cena do karaokê (uma belissimamente mal cantada More than this), a cena onde o Bob pega no pezinho da Charlotte e nada mais, além do fenomenal desfecho. Importante falar da mão da Sofia pra qualidade do filme, muito legal sua visão da iluminada Tóquio, com longos e abertos takes com a cidade e suas paisagens, ora calma e natural como no casamento no parque, ora agitada e barulhenta como no fliperama (alias isso contribui em muito para a vontade de viajar que me dá toda vez que assisto ao filme).

Se a pessoa que imagino ler isso aqui um dia, o que eu quero realmente dizer é que não deixarei que nada fique entre a gente, não vou desistir. Tudo bem que as coisas não ocorreram como deviam nesse momento, eu entendo até e estou de certa forma conformado de como as coisas estão agora, mas sei que um dia tudo ficará bem. E nesse dia eu estarei aqui, independente do rumo que nossas vidas tomarem, eu estarei aqui por inteiro e sem mudar nada do que sinto por ti, estarei te esperando com um amor incondicional e você sabe disso. Aquelas três palavras que giram como um tornado na minha mente hão de serem respondidas um dia. Assim espero.
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12 comentários:

Salvador! disse...

Sabes que nunca vi o filme... só o finalzinho. Tenho a impressão que ele é meio claustrofóbico, não sei porque.
Algum dia tirarei pra ver ele com calma e dou uma opinião mais embasada.

Guilherme Pilotti disse...

Uma das melhores coisas a ser dita sobre Lost In Translation é o fato de que ele não tem nenhum beijo durante o filme todo.
Sempre fica aquele clima entre os dois, mas nunca rola nada.

Eu nunca consegui levar "ela" pra ver esse filme :(

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@Salvador: Eu não acho ele claustrofóbico, ao contrário, acho ele libertador, mas libertador de uma forma completamente diferente, libertado falando direto com a alma, libertador de almas.
Eu me liberto com ele pensando que nada é para sempre e que tudo, por mais distante que pareça e por mais duradouro que pareça, sempre acabará.

Então, livre-se ;)

O Cara da Locadora disse...

É um filme que mexeu comigo, seja pela sua direção completamente diferente (feita pela pior atriz que eu já vi na vida, Sofia Coppola, rs) seja pelo amor à flor da pele, daqueles tão reais que nem parecem existir... Sensacional...

Germano Jaeschke Schneider disse...

Se tem um filme que eu quero assistir é este. Juro que o faço ainda nesta década.

E em relação à lua-de-mel, acabo de me lembrar de que eu provavelmente estaria no transcurso da minha se meus planos não tivessem sido tão alterados.

Kamila disse...

Marcus, "Encontros e Desencontros", na minha opinião, é um dos filmes mais superestimados dos últimos anos, mas confesso que entendo o tipo de encanto que ele causou nas pessoas, porque o roteiro da Sofia Coppola fala de temas que são muito próximos de nós, como a busca pelo amor e o medo da solidão.

Pedro Henrique disse...

Eu não gosto da direção da Sofia, mas o filme, num contexto geral, manda bem. A química entre Murray e Scarlett está ótima e o roteiro que foge do convencional não deixam a diretora estragar o filme. A trilha também é muito boa.

Abraço e vamô, vamô, tricolor... !!!

Museu do Cinema disse...

Excelente filme, e vc usando ele para se expressar, demais.

E VAMÔ, VAMÔ TRICOLOR!!!

Otavio Almeida disse...

Eu gosto desse recurso de usar o texto como forma de expressão! A mais pura expressão daquilo que vc sente! Eu procuro escrever desta forma. Nem sempre consigo, mas é o que eu busco no blog.

Parabéns! Ficou ótimo! Espero que tudo dê certo! Estou torcendo! Menos para o Grêmio, claro.

Abs!

Wally disse...

Marcus, texto ótimo. Sempre achei que críticas sensíveis são mais contundentes e a sua é bem tocante. Alias, somos dois quanto ao efeito do filme de Coppola. O filme é belíssimo e sempe meche com meu coração.

Ciao!

Guilherme Pilotti disse...

Tem MeMe pra ti por lá no PR meu velho ...

;)

contra-regra disse...

Não é o meu preferido da Sofia (essa honraria coube às Virgens Suicidas), mas é belíssimo do início ao fim e traz um Bill Murray inspirado. Vale a sessão a qualquer dia e hora.

Mídia? Cultura? Acesse
http://robertoqueiroz.wordpress.com

Armando Maynard disse...

É um filme para se assistir mais de uma vez, pois pode ser feito várias leituras.A beleza e sensualidade de Scarlett Johansson transpira por todos os poros.E viva o amor...Um abraço,Armando(lygiaprudente.blogspot.com)