segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Especial Libertadores


Seguindo com o especial, o jogo dessa vez é a final da 'La Taça' de 1995, com o memorável esquadrão do general Luís Felipe Scolari. Praticamente toda Colômbia dentro do estádio, incluindo o presidente e diabo-a-quatro. Mas lá estava o Grêmio, com toda sua garra e imortalidade, contra tudo e contra todos novamente...

por Pedro Henrique*
Atlético Nacional X Grêmio
30 de agosto de 1995, Medellin, Colômbia

Como tudo na vida, a trajetória do Grêmio na Libertadores de 1995 não foi nada fácil. O tricolor gaúcho que nunca foi time de contratações exorbitantes, começou e terminou o campeonato com um time modesto e discreto, porém qualificado e, claro, absurdamente bem treinado. A disputa da Libertadores sempre comoveu e motivou a torcida mais apaixonada do Brasil, mas essa, em especial, teve um ingrediente a mais.

Antes de mais nada, seria impossível não lembrar da semifinal. Grêmio e Palmeiras fizeram história em dois confrontos memoráveis. No primeiro, no glorioso e monumental Estádio Olímpico, 5 x 0 para o tricolor, que foi dominante na defesa e eficiente no ataque. No jogo de volta, em São Paulo, relaxado, o Grêmio deixou o Palmeiras marcar os mesmos 5 e devolver a goleada. Mas teve uma diferença crucial: o Grêmio fez um gol. Este gol pincelaria a campanha do tricolor copeiro e colocá-lo-ia na grande e empolgante final que estava por vir. Como ao longo do torneio o Grêmio foi mostrando sua força e, empurrado pela força maciça de sua magnífica torcida, garantiu a empolgação e a determinação – além, é claro, da garra tradicional -, não poderia ser diferente na grande final. O último suspiro. Gran finale. Morte súbita. E foi assim, com um time correto, sem estrelas, mas com jogadores conscientes que o Grêmio encarou essa decisão, que com certeza nenhum torcedor tricolor deixará de lembrar.

Contrapondo o ocorrido em 1983, o primeiro embate foi realizado dentro de casa. Aliás, casa cheia e contagiada pela esperança que emanava em cada olhar de que o bicampeonato estaria por vir. A torcida queria, precisava daquele título. Os jogadores em campo, contagiados pela energia em candura que transbordava das arquibancadas, demonstravam, mesmo antes da bola começar a rolar, o espírito copeiro e aguerrido, indispensáveis para quem se atreve a vestir o manto tricolor.


No primeiro jogo, com Olímpico lotado e esfuziante, 3 x 1 para o Grêmio. O adversário, o técnico e ágil time do Atlético Nacional (Colômbia), era eficiente no ataque e muito veloz, com dois bons atacantes (Aristizábal e Angel), mas a defesa do tricolor gaúcho, abastecida por dois monstros (Rivarola e Adílson), sucumbiu toda e qualquer tentativa de avanço do time colombiano. O placar vocês já sabem. Marulanda, zagueiro grosso do adversário marcou contra, aos 36. Jardel, aos 43 e Paulo Nunes, aos 10 da segunda etapa, marcaram para o futuro bicampeão da América. Quando o relógio do árbitro Alfredo Rodas marcava 27 minutos, Angel descontou. O resultado, porém, era satisfatório para o Grêmio. Até uma derrota pelo escore mínimo garantiria o título para o tricolor copeiro.

No dia 30 de agosto de 1995, o jogo de volta. O Nacional, empurrado por mais de 50 mil fanáticos iludidos, ao natural, pressionou. Tanta pressão obteve resultado. Logo aos 12 minutos iniciais, o habilidoso Aristizábal abriu o placar. A partir daí, a pressão só aumentou e o Nacional dominou o jogo. Enquanto isso, o torcedor tricolor mastigava unhas, bufava feito louco e ansiava por uma reação dos jogadores dentro de campo. Nada. O Nacional, que trocava passes longos e apoiava com rapidez pelos flancos, pressionou sem parar. E foi assim até o final da primeira etapa. Alívio. O primeiro tempo tinha acabado. Nos vestiários, imagina-se a bronca que os atletas devem ter levado do maior treinador do planeta. Felipão, conhecedor astuto da linguagem futebolística, ao retornar do vestiário, na beira do gramado, urrou: “Temos que fazer um”. Que assim seja.

Como não poderia deixar de ser, o time da casa atacou, atacou e atacou. Assim mesmo, dominante. Bastante superior em avanços pelas laterais. Perdia feio, no entanto, no coração. Aliás, o Grêmio, naquele jogo, levou ao pé da letra o jargão que dizia “vamos botar o coração na ponta da chuteira”. Além disso, o time do Nacional cansou. Isso ficou explícito aos 37 minutos da etapa final, quando o zagueiro do Nacional, perdendo na velocidade para o 12º homem do tricolor, Alexandre, viu-se obrigado a empurrá-lo. Méritos para o melhor preparador físico do mundo da bola, Paulo Paixão. Pênalti. Penal. Penalidade máxima. A bola na marca. Higuita no centro do gol. Dinho posicionado. Sai da frente...

39 minutos: GOL. Dinho. Uma porrada no meio do arco concretiza e torna realidade o sonho do bi. 1 x 1. O Nacional teria que marcar dois para levar a decisão para os pênaltis. Mas o Grêmio estava disposto a sair da Colômbia dono da América. A partir daí, controlou o jogo e segurou os ataques descontrolados do Nacional. Quando soou o apito final, houve a invasão de campo tradicional a que um campeão tem direito. O Grêmio era bicampeão da América. Naquele ano, para delírio da torcida tricolor, o continente foi azul, preto e branco.

*Pedro Henrique, editor do Tudo É Crítica e companheiro no Cinefilia, ama cinema e o Grêmio.
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6 comentários:

Kamila disse...

Este time, de 1995, do Grêmio era um verdadeiro timaço!!! E o futebol deles era a CARA do Luiz Felipe Scolari!!!

Germano Jaeschke Schneider disse...

Aquela campanha foi incrível.

Marcus Vinícius disse...

É verdade Kamila, era o legítimo futebol força, de objetividade e sem firulas. Bons tempos hein, bons tempos...

Eu lembro até hoje daquele pênalti do Dinho, Germano. Depois da tensão, o alívio de mais um título.

Museu do Cinema disse...

Parabéns Pedro, belo e apaixonado texto!

Esse Grêmio era do General mesmo, e bela lembrança do Paulo Paixão!

Pedro Henrique disse...

Foi o jogo que me fez pensar: "Pô, eu sou gremista. Esse clube é demais".

Valeu!!!

Marcus Vinícius disse...

Pedrão, valeu pelo ótimo texto, e dia 25 todos os caminhos levarão ao MONUMENTAL!!!

Abss