sexta-feira, 18 de maio de 2007

O Homem-Urso

Título original: Grizzly Man
Direção: Werner Herzog
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Duração: 100 min.








Documentário espetacular do diretor alemão Werner Herzog, um tributo à vida e morte de Timothy Treadwell, um ecologista que dedicou sua vida aos ursos. Ele passou 13 anos acampando durante os verões numa reserva florestal do Alasca estudando os ursos pardos, até juntamente com a namorada morrer devorado por um dos animais, em outubro de 2003.

Timothy praticamente largou tudo, inclusive o alcoolismo e uma vida problemática na adolescência, para poder estudar e ficar mais perto dos bichos e da natureza, sua verdadeira paixão. De certa forma não deixa de ser um ato nobre, mas também é uma fuga da realidade, da civilização em que ele não se encaixava e tanto repudiava, tanto que o mesmo deixa explícito o desejo de ser um urso (!) e sua tristeza cada vez que ele precisa sair da reserva, abandonar seus amados ‘vizinhos’. Um homem que se afastou quase que totalmente de tudo e todos para viver sozinho, no meio do nada, perto de uma das espécies mais ferozes do planeta com o intuito de protegê-los. Tudo que ele fez foi pela conservação dos animais da reserva. Não imaginava mais sua vida longe dessas criaturas, elas se transformaram na razão de sua existência. Infelizmente, sua morte foi causada por uma dessas criaturas por quais tanto zelava. Alguns indagam se era necessário proteger os ursos, afinal eles estavam dentro de uma reserva... Óbvio que sim, tanto que após a sua morte várias carcaças de ursos apareceram, fato que não foi incluído no filme.


Mas o próprio diretor faz o contra ponto do protagonista. Numa passagem, já que o diretor também é o narrador do filme, ele diz: “Ele parece ignorar que na natureza há predadores. Eu acredito que os denominadores comuns do universo são: o caos, a hostilidade e o assassinato”. Outra passagem diz o seguinte: “O que me assombra é que, em todas as caras de todos os ursos filmados por Treadwell, eu não descobri nenhuma simpatia, compreensão ou piedade. Vi apenas a impressionante indiferença da Natureza. Este olhar vazio revela apenas um interesse entediado por comida”. Herzog não compartilha da mesma visão romântica sobre a natureza de Treadwell e deixa isso bem claro. Os depoimentos do médico-legista, da ex-namorada, de amigos, de pessoas que diziam que ‘ele teve o que merecia’, completam as opiniões. Outra coisa que fica clara é admiração de Herzog pelo diretor Timothy, visto que ele deixou centenas de horas de vídeo com imagens, tomadas e seqüências deslumbrantes (uma briga de ursos, por exemplo), esquecendo momentaneamente a justificativa ecológica dele.

Talvez ele devesse ser mais prudente sim, mas ações como a sua fazem do mundo um lugar melhor. Timothy Treadwell dedicou grande parte de sua vida a proteger os ursos, quando na realidade foram eles que o salvaram, mas que por ironia do destino veio a falecer por meio de um deles. Um trabalho com o olhar dedicado e delicado de Herzog, que ao mesmo tempo em que explora a forte e instável personalidade do ecólogo, também questiona a relação ‘ser humano – natureza’, sendo essa última tão necessária e importante quanto impiedosa.

10 comentários:

Wiliam Domingos disse...

Vlw pela tua visita no Eco Social...
vou te linkar ok?
Bom, eu não me interesso por este tipo de documentário, mas parece ser interessante...
falando em documentario, vc já viu "Estamira"?
bom, se não viu...veja, é impressionante!
Abraço

Marcus Vinícius disse...

Tranquilaço, Eco Social linkado também.
Bem, eu como em breve serei biólogo, não tive como desassociar o ofício. Bah, tem partes que me encheu de lágrimas, bate bem forte mesmo. Quanto ao 'Estamira', ainda não vi mas to ligado no filme, li várias coisas boas sobre ele.
Abraços

Túlio Moreira disse...

Preciso ver esse documentário. Herzog é autor de cinema e documentários que não fogem da estética cinematográfica sempre me interessaram.

abs!

Vinícius P. disse...

Não gostei tanto assim do documentário (daria, no máximo, umas 3 estrelas), mas sem dúvida é um belo retrato sobre o Timothy Treadwell - e o Herzog realmente é um grande diretor.

Abraço!

Wanderley Teixeira disse...

Sempre fiquei de pegar esse filme na locadora,mas me falta coragem em arriscar mais nos documentários...

Felipe Nobrega disse...

é excepcional!
Herzog é gênio mesmo, você já assistiu Woyzec ou Aguirre?
se não viu assista, são muito bons!
inté!

Túlio Moreira disse...

Marcus, vai passar esse doc numa mostra de cinema alemão aqui na minha cidade. Herzog, Fassbinder... Agora é que eu tiro a barriga da miséria, ehhehehe

abs!

Bakemon disse...

Toda vez que vou à locadora pego esse DVD na mão, mas desisto apesar de ser um Herzog... Preciso tirar esse preconceito de ser algo na linha Animal Planet.

Marcus Vinícius disse...

Túlio - Pô, que beleza hein. Aproveite a mostra.

Vinícius - como disse amigo, foi difícil desvenciliar o lado pessoal. Herzog é um monstro, pelo jeito unanimidade entre nós.

Wanderley - Arrisque, tem uns excelentes, como esse.

Felipe - Já li sobre o Aguirre, mas ainda não vi, infelizmente. Mas o Nosferatu é muito foda.

Bakemon - Hahahaha, Animal Planet. Que maldoso! =D

Abraços a todos

Anônimo disse...

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